Uma okinawana em São Paulo descobre a “Okinawa do Brasil” (3) — Sakura de Okinawa

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Sakura de Okinawa avistada na Liberdade (julho de 2026)
Sakura no Bunkyo, na Liberdade. A combinação com o poste de luz, símbolo do bairro, é linda (julho de 2026)
A sakura do Bunkyo floresceu de um jeito raro: metade em flor, metade já com folhas novas (julho de 2026)
Sakura de Okinawa após cair. A característica é que a flor cai inteira (julho de 2026)
Sakura no Parque da Cerejeira, em Campos do Jordão. É a "tsubaki kanzakura", variedade de floração precoce, com um rosa mais claro que a sakura de Okinawa (julho de 2024)

No Brasil, é possível apreciar as sakuras (flores de cerejeiras) japonesas em festivais realizados em várias regiões durante o inverno (de julho a agosto).
Como no Japão a sakura é fortemente associada à primavera (de março a abril), fiquei bastante surpresa quando ouvi falar disso pela primeira vez.

No Japão, a maioria das sakuras é da variedade “someiyoshino”, propagada principalmente por enxertia.
Por isso, uma mesma árvore floresce toda de uma vez, na mesma época (embora haja diferenças conforme o clima de cada região). Em março, a “declaração de floração” vai se espalhando de sul a norte do Japão, virando assunto do momento. Além de anunciar a chegada da primavera, a sakura também é muito amada pelos japoneses como símbolo da formatura (“partida para uma nova etapa”) e do ingresso escolar (“início de uma nova vida”).

No Brasil também foram trazidas diversas variedades de sakura, mas a que melhor se adaptou ao clima brasileiro e se enraizou em diversas regiões é a “kan-hi-zakura”, conhecida popularmente como “Sakura de Okinawa”.

 

 

O que é a “sakura de Okinawa”

Como o próprio nome sugere, a sakura de Okinawa é a variedade encontrada em Okinawa, dentro do próprio Japão (as sakuras do Japão continental não se adaptam bem ao clima quente de Okinawa).

Suas principais características são três:

  • A cor é mais forte
  • Floresce mais cedo
  • As flores caem inteiras, de uma vez (nas sakuras do Japão continental, as pétalas caem uma a uma, suavemente)

Eu, que cresci em Okinawa, quando vi pela primeira vez uma sakura do Japão continental, fiquei encantada com a delicadeza das pétalas rosa-claras caindo suavemente, pensando: “que efêmero e bonito”. Já quem é do Japão continental e vê pela primeira vez a sakura de Okinawa costuma comentar o contrário: “a cor é tão forte que mais parece flor de ameixeira do que sakura” (já que a ameixeira tem um rosa mais intenso).

Como mencionei, a sakura de Okinawa floresce mais cedo: todo ano, já no início de janeiro começa a florescer nas montanhas, e em janeiro têm início os festivais de sakura em várias partes de Okinawa. Depois disso, por volta de fevereiro, com as chuvas mais frequentes, não é raro que as flores caiam inteiras junto com a chuva. Por volta de março, quando as sakuras do Japão continental estão no auge da floração, a sakura de Okinawa já está com as folhas novas (fase em que só restam as folhas, sem flores) e, dependendo do caso, já até deu frutinhas parecidas com cerejas. Infelizmente, essas “cerejinhas” não são próprias para consumo.

 

 

A sakura de Okinawa em São Paulo

As sakuras que às vezes avistamos pela cidade de São Paulo — especialmente no bairro da Liberdade, onde há bastante — também são, na maioria, sakuras de Okinawa. A época de floração é bem irregular, e às vezes dá para ver alguma florescendo em momentos inesperados, tipo “essa não devia estar florida agora?”. Este ano, inclusive, vi um exemplar curioso: metade da árvore em flor, metade já com folhas novas.

O clima de São Paulo tem manhãs frias e tardes de calor de suar, dias em que parece que passamos pelas quatro estações em 24 horas. Talvez as sakuras — assim como nós — estejam mesmo à mercê desse clima tão instável.

 

Original em japonês. Tradução realizada com auxílio de IA.

Fonte: Texto e fotos de Satoe Jahana,
Japonesa, nascida em Okinawa (issei), ex-voluntária da JICA. Ama comer.

 


 

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