O que mais me surpreendeu ao chegar a São Paulo foi poder comer “Okinawa soba”
Quando comi Okinawa soba pela primeira vez em um evento da Associação Okinawa Kenjin do Brasil, fiquei muito emocionada.
Mas o que mais me surpreendeu foi encontrar Okinawa soba também nos restaurantes da cidade. Essa foi realmente uma descoberta muito feliz.
O que é o Okinawa soba?
No Japão, quando se fala em “soba”, normalmente se pensa no “soba japonês” tradicional, feito com farinha de trigo-sarraceno (soba-ko).
O Okinawa soba, porém, não leva farinha de trigo-sarraceno. Seu principal ingrediente é a farinha de trigo comum, o que o aproxima mais do udon do que do soba tradicional.
Por isso, por um tempo, houve quem dissesse “isso não pode ser chamado de soba”. Mas em 1978,
depois de uma negociação persistente da Cooperativa de Fabricantes de Macarrão Fresco de Okinawa,
o nome “Honba Okinawa Soba” (Okinawa soba genuíno) foi oficialmente reconhecido pela Comissão de Livre Comércio do Japão,
e o Okinawa soba passou a poder usar o nome “soba” com toda legitimidade. Hoje,
é considerado a comida da alma dos okinawanos, amado até hoje por gerações inteiras, das crianças aos avós.
As características do Okinawa soba
A base é um macarrão feito de farinha de trigo, servido em um caldo preparado com kombu, katsuobushi (flocos de bonito seco) ou ossos de porco,
servido com cebolinha e carne por cima. Sobre isso, é comum adicionar kamaboko (bolinho de peixe) e outros produtos produtos à base de surimi,
tiras de omelete fina ou omelete cortado em fios finos (kinshi tamago), e até kombu amarrado em nós.
Também é possível temperar a gosto com gengibre em conserva (beni shoga) ou coré-gûsu (pimenta típica de Okinawa deixada de molho em awamori).
O interessante é que o nome muda conforme o tipo de carne usada.
Quando leva sōki (costela de porco), é chamado de “sōki soba”; quando leva sanmai-niku (barriga de porco cozida em bloco e fatiada),
é chamado de “sanmai-niku soba”. Na verdade, “Okinawa soba” é um termo genérico, mas costuma se referir ao tipo preparado com sanmai-niku.
Há até quem diga que o sōki soba surgiu depois, como uma versão “de luxo” do prato original.
O Okinawa soba no Brasil
Quando se fala em Okinawa soba no Brasil, o mais conhecido é o “sobá” de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul— reconhecido, inclusive, como patrimônio cultural imaterial da cidade.
Sua origem remonta aos okinawanos que imigraram para a região e passaram a preparar e divulgar o prato por ali.
Na época, o grande desafio era:”como recriar o Okinawa soba usando os ingredientes disponíveis no Brasil?”.
Depois de muita tentativa e erro, chegou-se a um estilo próprio:
ossos bovinos (como o ossobuco), cozido lentamente por horas, coberto com carne bovina, omelete cortado em fios finos e cebolinha.
Hoje, além da carne bovina, já existem versões com carne de porco, frango e até shimeji, mostrando que o prato continua evoluindo.
Já o Okinawa soba que encontro em São Paulo tem, até agora, um estilo mais uniforme:
feito com ossos de porco e katsuo(bonito seco), com macarrão coberto por carne de porco, ovo, kamaboko e gengibre vermelho em conserva.
É interessante ver como um mesmo prato, o “Okinawa soba”, ganha características próprias conforme a terra onde se enraíza.
Assim como o ramen se tornou um enorme sucesso, quem sabe um dia o Okinawa soba também faça tanto sucesso quanto o ramen em São Paulo.
Original em japonês. Tradução realizada com auxílio de IA.
Fonte: Texto de Satoe Jahana, Fotos de Satoe Jahana e equipe do Nikkey Web.
Japonesa, nascida em Okinawa (issei), ex-voluntária da JICA. Ama comer.













